
Artigo de Tipografia
ARTIGO de TIPOGRAFIA
O primeiro vídeo diz respeito a um diálogo intenso entre Samuel L. Jackson (Jules Winnfield) e Frank Waley (Brett) do filme “Pulp Fiction”. A escolha do vídeo tipográfico baseou-se não só por ser um fantástico e emotivo diálogo mas também pela forma como o autor esquematizou a tipografia.
O segundo vídeo insere-se num clip dos Daft Punk – “Technologic” – onde a partir da palavra inglesa “IT” revelam-se várias formas que vão ao encontro do que está a ser cantado. A espectacularidade e o modo vertiginoso na mudança de forma marcam este vídeo.
É interessante observar que em ambos os vídeos a todos os sons e acções correspondem determinadas formas na disposição da letra. No primeiro, o tipo de letra utilizado pelo autor é a Rockwell. Esta fonte foi desenhada nos Estados Unidos da América, em 1934, para a Monotype, resultando do melhoramento da antiga fonte Lanston-Egyptian. Destaca-se pela sua forte personalidade, peso, firmeza, volume e negrito, embora seja bastante geométrica tal como todas as serifadas.
Segundo Jan Tschichold, o tipo de letra sem serifa são as melhores e mais adequados para pequenas apresentações, já que as suas características morfológicas e a possibilidade de combinar redondos com itálicos, finos, médios e negros da mesma família tornam possível a obtenção de contrastes, cruciais para a eficácia do design. Por outro lado, o uso deste tipo de letra em longos textos torna-se cansativo e difícil de ler.
A Rockwell identifica-se bem com a peça, onde o discurso protagonizado por Jules é bastante intimidatório, caracterizado pelo enorme tamanho da letra e variantes da cor “Flickr”, em contraste com a do seu opositor – Brett –, onde emana uma Rockwell de tamanho mais pequeno e de cor cinza. Ao longo do diálogo a letra sofre transformações de posição e cor de acordo com o que está a ser discutido.
No segundo vídeo o tipo de letra utilizado é a Arial Black, de cor branca num fundo preto. Arial A Black é uma variante da Arial, criada em 1982, por Robin Nicholas e Patricia Saunders para a Monotype. Caracteriza-se pela sua extrema versatilidade e facilidade de leitura, tendo sido associada aos sistemas operativos da Microsoft desde 1985.
A TIPOGRAFIA acaba por ser uma ferramenta maleável e funcionalista do ritmo – tanto no diálogo como no clip -, mudando de estilo e formato de acordo com a nova situação apresentada, estimulando a percepção e impulsionando a mensagem desejada.
O uso da palavra “IT”, de aparência modesta, permite uma leitura simples tornando-a acessível – objecto da TIPOGRAFIA, princípio essencial para manter o interesse da leitura. A contínua mudança tipográfica confere-lhe movimento, alegria e actividade.
Snow Patrol – Álbuns
- Snow Patrol – A Hundred Million Suns
- Snow Patrol – Eyes Open
- Snow Patrol – The Trip
Snow Patrol – It’s begining to get to me
Memória Descritiva
Antes de mais, queria salientar que o objectivo do trabalho centra-se na construção de uma composição visual a partir de uma música, utilizando os Elementos Básicos da Comunicação Visual (ponto, linha, textura, contorno, direcção, tonalidade, cor, escala, dimensão e movimento), organizados segundo as Técnicas de Comunicação Visual que achar necessárias utilizar.
Na minha perspectiva, a composição visual criada apresenta as seguintes Técnicas de Comunicação Visual: Instabilidade, Espontaneidade, Actividade, Profusão, Profundidade e Acaso, ainda que, algumas estejam presentes em partes específicas da composição.
A técnica de comunicação visual Instabilidade, reflecte-se no quadro geral da composição, fazendo a relação com o sentimento que a música transmite, nomeadamente no instrumental.
A posição que cada “personagem” visual ocupa no espaço de forma volúvel transmite-nos a técnica, onde o factor linha associado á música desempenha um papel muito importante.
Pela observação de cada elemento, percebe-se que houve o cuidado de transmitir a linha oblíqua: a inquietação, o movimento, provocação.
Representações de linha: a linha curva, transmite o calor, a emoção; a linha ascendente: esperança, alegria; linha descendente: tristeza, declínio; linha recta: a ordem.
Em relação à técnica Profusão, refere-se à riqueza musical directamente espelhada na composição visual com uma série de elementos de formas básicas, geralmente circulares, bem definidos, que ganham significado próprio quando combinados com a cor e textura.
A cor predominante é o azul: revela a sensação de refrescante, salubridade, estimulante. (palavras-chave na música: “sea”, “cold”, “icy”, “frozen”)
Por várias vezes aparece associada ao branco – paz e serenidade – e ao preto – pesado, obscuro.
A ligação não foi feita ao acaso, procurou-se dar a sensação de invasão, onde preto e cinza tomam a forma de negativo, invadindo, por vezes toda a forma ou parte dela, num contraste entre a melancolia, nostalgia no racional e natural, – “It’s Begining to get to me” – num entrelaçado de cores e formas, onde todas as personagens pictóricas tomam o valor de emoções e sentimentos.
A textura também reflecte o “It’s begining get to me” por assim dizer, quando apresenta em partes da composição um aspecto mais rugoso a afectar o outro espaço da imagem.
A respeito da técnica Espontaneidade, apresenta-se no tom descontraído, relaxante, impulsivo da música representado por pequenas formas rectangulares oblíquas, umas mais pequenas outras maiores e pontos cheios, sem qualquer direcção ou sentido, ao acaso revelando liberdade e movimento, plenos de acção.
Quanto á técnica Actividade revela-se em toda a composição. A música é estimulante e toda ela movimento, assim como a composição, não só pelas “nuvens” que por si só dão a sensação de actividade, mas também por todas as formas, nomeadamente as circulares e o modo como estão dispostas. As “moons” ou “rings” em várias direcções ascendentes e descendentes, explicadas acima pelo factor linha, reafirmam movimento.
A escolha da técnica Profundidade relaciona-se perfeitamente, tanto a nível musical como a nível visual. A profundidade da música para mim é clara, notória ao longo da memória descritiva, tem significado, tem sentido. Ora, as variadas formas circulares sobrepostas são muito mais que formas, são a profundidade da música, a sua perspectiva, camada sobre camada, além do espaço de fundo – as “nuvens” (céu) – remete para o infinito, o profundo.
Por fim, a técnica Acaso (“No one knows what this fight’s about”) está presente em toda a composição, contudo concentra-se mais em dois espaços particulares, onde existe um amontoado de “rings” que se interligam, com diferentes direcções, dimensões, cores, espalhados de forma aleatória revelando movimento, liberdade, naturalidade.
(frases-chave: “Saturn ring’s”, “icy loop around me”)
Nota: Professor, a descrição dos elementos básicos e técnicas está introduzido ao longo do texto. Pareceu-me a forma mais fácil de expressar o significado da comunicação visual. Qualquer problema, feedback.











